Grande Rota da Transumância

O que foi a Guerra dos Montes?

O terrível conflito marcado na história de Rosmaninhal e Alares

O abandono de Alares decorre de um conflito social intenso conhecido como Guerra dos Montes (ou Guerra dos Povos), ocorrido entre 1923 e 1930. Este conflito teve origem em disputas de posse de terras após a morte do Visconde de Mourão em 1920. Os herdeiros do visconde exigiram que habitantes de Alares, Cobeira e Cegonhas (Velhas)—que ali viviam há gerações—abandonassem os montes que ocupavam. Naturalmente, os residentes rejeitaram dando origem a um conflito de dimensões trágicas: cerca de dois mil rosmaninhalenses invadiram Alares, queimando palheiros, destruindo hortas e alfaias agrícolas.

Durante anos sucederam-se saques, roubos, vandalismo e destruição de culturas. Mais de 300 cabeças de gado foram dizimadas, enquanto homens, mulheres e crianças sofreram agressões. A população, aterrorizada, foi eventualmente aconselhada pelo Governador Civil a abandonar as localidades.

Os habitantes de Alares distribuíram-se: alguns fundaram Soalheiras (a cerca de 3 km de distância), outros dirigiram-se a Cegonhas, Monforte da Beira, Malpica do Tejo e Ladoeiro.

Hoje, Alares é um conjunto de ruínas inseridas num contexto paisagístico de extraordinária beleza, carregadas de história e até algum mistério associado ao seu passado.

Alares, ruínas que moldam a paisagem

  • Estrutura edificada: Casas de pedra xisto e barro, construção tradicional, maioria em ruína completa
  • Cobertura vegetal: Crescimento acelerado de vegetação natural, com trilhos agora cobertos de silvas
  • Paisagem humana: Quase total ausência de ocupação permanente; apenas pastores e visitantes ocasionais
  • Função contemporânea: Observatório de Aves dos Alares, ponto de paragem na GR29 Rota dos Veados